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Aumento na demanda de shoppings centers

Nova realidade de consumo surge no Estado e fomenta a cultura de grandes centros de vendas.

O segmento de shopping centers vem apresentando crescimento substancial nos últimos anos, notabilizando-se pelo desempenho acima da média dos demais setores da economia. Num país que nos últimos anos vem crescendo a uma taxa anual média não muito superior a 2%, a performance dos shopping centers tem sido surpreendente: só no ano passado, foram inaugurados no país 38 novos centros de compra totalizando 2.640 novas lojas, um aumento de mais de 8% em relação ao ano anterior.  Atualmente, Pernambuco conta com mais de 17 centros de compra e ocupa a 11ª posição no país em número de malls. Dez novos shoppings já foram anunciados, deles três devem inaugurar ainda este ano, a fim de atender a demanda da Copa do Mundo.

Os primeiros centros comerciais do Brasil foram abertos na década de 1960. Em Pernambuco, essa experiência de compras teve início com a inauguração do Shopping Recife, em 1980. Durante muitos anos a expansão desse mercado se restringiu à capital. Os shoppings só chegaram ao interior em 1995, com a abertura do River Shopping, em Petrolina. Dois anos depois, foi a vez de Caruaru, que assim como Petrolina atraiu a instalação do mall por ser um polo regional.

Da dezena de novos centros, apenas dois, Shopping Metropolitano e Shopping Apipucos, inauguram no Recife. O boom se dará mesmo fora da capital, em municípios da Região Metropolitana, como Camaragibe e Jaboatão dos Guararapes, e do interior, como Petrolina e Garanhuns, que alcançaram um potencial de consumo atraente para a instalação desses empreendimentos.

As vendas, é claro, acompanharam o ritmo, crescendo na mesma medida, e a expectativa para 2014 é de mais aumento de 8%. Desde 2006, ano em que a eclosão dos shopping-centers se tornou mais perceptível e o ramo passou a crescer de forma exponencial, o faturamento do setor quase triplicou, e a indústria de shoppings vem quebrando recordes a cada ano.

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O que pode explicar este fenômeno? 

Na verdade, a explicação é bastante simples, e de natureza puramente econômica. Nos anos 70, a indústria de shoppings ainda era incipiente e todo o conceito da coisa ainda era novo para ser assimilado pela cultura nacional como é hoje. Nos anos 80, o consumo de forma geral era inibido pela altíssima inflação de preços que assolava o país. Na década de 90, com o país relativamente estabilizado, observou-se uma nova onda de investimentos no setor, mas o país, ainda em fase de ajustes macroeconômicos e temendo a volta da inflação, não dispunha de políticas que incentivassem em grande medida o consumo e a demanda interna. O mesmo se observou no primeiro mandato do presidente Lula. Já a partir do segundo mandato, o alvo da política econômica atendia por um nome: consumo. A expansão da base monetária e do crédito fez o mercado simplesmente ser inundado por dinheiro e o nível de consumo interno crescer abruptamente. Afinal, com mais dinheiro no bolso, a população foi às compras. Incentivar o consumo, e não a produção, é o que explica o fato de setores ligados ao comércio terem apresentado, nos últimos anos, resultados bem melhores do que, por exemplo, a indústria.

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