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Como saber se sua empresa vai bem

Receber o dinheiro, pagar todas as contas e sobrar alguma coisa nem sempre quer dizer que uma empresa vai bem.

O país vive um momento de retração econômica e o empresário pernambucano sente o peso da crise, com pouca esperança de melhora em curto prazo. Para muitos, nem pagar todas as contas tem sido possível. Para o economista Paulo Brito, é preciso estar atento ao cenário econômico. “Estamos passando por um momento de aperto na circulação de moeda no Brasil, o Banco Central vem atuando forte nesse sentido, visando o controle da inflação. Um exemplo são os últimos aumentos da taxa básica de juros. Outra causa da diminuição de circulação de moeda no mercado é o instrumento usado pelo Banco Central para frear a demanda do mercado por moeda, aumentando os percentuais de reservas compulsórias que as instituições financeiras precisam disponibilizar para assegurarem suas operações diárias. Assim elas terão menos recursos disponíveis para emprestar no mercado.”, explica.

O empresário pode evitar muito problema com um bom estudo de mercado e com a adaptação de sua empresa para um negócio potencialmente exposto a estas variações ficando atento às análises e projeções dos indicadores mercadológicos.  “Atualmente vivemos em um cenário onde a taxa de juros é de 11% ao ano e o que o empresário precisa considerar é, se depois de pagar todas as contas, o que sobrou faz com que a rentabilidade de toda a operação da empresa esteja acima de 11%. Para qualquer valor abaixo disso é de bom senso que seja feita uma aplicação com bom rendimento fixo, com uma rentabilidade maior do que a produção da empresa que ele consegue assumir”, explica Paulo.

Mas para quem se encontra em situação de risco, muitas “soluções são oferecidas pelo mercado financeiro, como empréstimos e financiamentos. Entretanto, ao pensar em recorrer a estas alternativas, é preciso redobrar o cuidado. “Os bancos estão emprestando menos e exigindo margens de garantias mais altas do que no ano anterior por não poderem mais assumir empréstimos com riscos elevados de inadimplência”, alerta. “Para o empresário que atua no ramo de serviços é ainda mais complicado conseguir financiamento, uma vez que o principal ativo da empresa é o serviço em si, considerado um bem intangível. Uma saída é a busca da antecipação de recebíveis, operação de financiamento onde o empresário irá solicitar a uma instituição financeira que lhe antecipe o valor de algum contrato em detrimento de uma taxa de deságio, que será o lucro da instituição para esta operação. Assim o empresário irá conseguir  um pouco mais de ar para o caixa da empresa”, orienta o economista. “Quando existe o produto é um pouco mais simples, já que pode-se usar como garantia alguns bens ou produtos da própria empresa para ganhar liquidez”, conclui Paulo.

Além dos fatores financeiros, outros indicativos podem apontar uma instabilidade do seu negócio. É preciso realizar diversas análises, como a do lucro líquido ou prejuízo. Por exemplo, se a empresa estiver com valor negativo, será possível notar os seguintes fatores: faturamento abaixo do ponto de equilíbrio – ou seja, faturamento necessário para pagar os custos e despesas; custos fixos elevados em relação ao faturamento; formação dos preços de venda com margens muito baixas de lucro ou até mesmo zeradas ou negativas, possivelmente os preços estão sendo calculados sem a inserção dos custos fixos; despesas financeiras muito elevadas, devido, provavelmente, ao desconto de cheques ou duplicatas.

Nunca é tão importante conhecer os seus números por dentro e por fora como quando se enfrenta uma situação de crise. Se não reagem antecipadamente, é quase certo que estas empresas entram numa espiral negativa: reduzem custos, endividam-se excessivamente e comprometem o futuro. O primeiro passo para recuperar uma empresa em dificuldades é reduzir custos de atividades consideradas dispensáveis. Neste ponto, ajuda ter um bom sistema de controle de gestão para identificar custos desnecessários mas se a sua empresa é pequena, será relativamente fácil pensar numa série de coisas de que não precisa realmente para mantê-la funcionando. Basta percorrer as contas de custos fixos numa série mensal e analisar as principais rubricas em detalhe para encontrar imediatamente o que pode ser feito para reduzir custos.

As rubricas de custos mais questionáveis se quiser realmente tirar a sua empresa de uma situação difícil, são as despesas com automóveis, as verbas de representação, viagens e outras supérfluas. Cortar estes custos tem uma dupla vantagem: reduzir os custos com atividades sem grande valor acrescentado, como também os com a tributação autônoma de IRC que incidem sobre eles. São 10% adicionais que podem ser poupados.

“Além dos fatores financeiros, outros indicativos podem apontar uma instabilidade do seu negócio.”

Estancar o problema numa situação de crise passa por reduzir a estrutura de custos voltando ao equilíbrio da conta de exploração. Se o problema for o mercado, é o caso de gastar menos para voltar aos lucros. Muitas empresas confundem uma situação de crise com a em que não há condições estruturais para competir num mercado dinâmico. Em outras palavras, atravessar um período difícil pode não ser o mesmo que estar fora da jogada permanentemente.

Há uma função que nunca deve deixar de desenvolver: a capacidade para inovar. É como deixar de pedalar uma bicicleta. Pode não perder a velocidade imediatamente, porém mais cedo ou mais tarde, acabará por cair. O mesmo acontece nas empresas. Nunca deixar de estar perto dos seus clientes, procurando entender seus anseios e necessidades para ser capaz de conceber novos produtos. Este é um dos aspectos em que muitas empresa falham, porque não percebem que nas situações de crise, frequentemente as regras de jogo mudam. Deixam de arriscar, deixam de criar novas soluções para os problemas, tentam insistir num modelo que, de repente, já não funciona.