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Crise imobiliária na capital pernambucana?

Desaceleração de preços chega no Recife e mantém indícios de “crise” e “estouro da bolha” longe da  perspectiva dos consumidores.

Após quatro anos de aceleração e supervalorização nos preços dos imóveis, a prevista desaceleração parece finalmente chegar, aparentemente deixando de lado o medo de um grande estouro da bolha imobiliária. Ou seja, os valores não subiram, mas também não é possível afirmar uma queda, mas sim uma considerável estabilidade nos preços de venda.

O cenário é confirmado com os dados do Índice de Velocidade de Vendas de Imóveis Novos (IVV), calculado pela Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe).  A pesquisa indica que junho deste ano teve o menor crescimento desde abril de 2009, fechando em 6%. A movimentação é bastante semelhante ao de todo o primeiro semestre, que teve a menor velocidade desde 2009, com média de 7,9%.

Nos últimos anos, o setor de construção civil disparou no Brasil, e principalmente na capital pernambucana. Vários empreendimentos foram construídos embalados pelo aumento de renda e da expansão do crédito. Porém, em consequência deste crescimento, os consumidores tiveram que encarar os preços exorbitantes de novos imóveis. Pelos dados do FipeZap, índice que acompanha os preços dos imóveis à venda na internet, o preço médio do metro quadrado no país sofreu alta de 0,8%, enquanto o aumento no Recife foi de 1%.

Apesar da facilitação na oferta de crédito para o financiamento de imóveis, os economistas não preveem uma crise no setor, como ocorreu em 2008 nos Estados Unidos, o famoso “estouro” da bolha econômica.  O mercado imobiliário norte americano correspondia a  80% do PIB. “Em Pernambuco, esperamos que até 2016 o faturamento do mercado imobiliário chegue a 14% do PIB”, explicou Henrique Brito, completando: “E não para de chegar investimento aqui no estado, como em Goiana e em Suape, e isso faz com que o mercado continue aquecido”.

Por outro lado, alguns economistas ainda temem bolha imobiliária baseado nos dados dos anos anteriores. O aumento médio dos preços foi de 13,7% em 2013 e também em 2012, além de quase o dobro (26%) em 2011, de acordo com o Índice FipeZap, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

Divergências a parte,  como era de se esperar, depois do fim da Copa do Mundo, o valor médio do metro quadrado no Recife deu uma freada, assim como as vendas de novos imóveis desaceleram. “A expectativa é que o mercado se mantenha estável até o final do ano” afirma Thiago Cavalcanti.

Tanto a venda como a revenda de apartamentos já está mais complicada no Recife. A administradora Aline Sampaio está sentindo na pele a desaceleração do mercado. “Comprei um imóvel para investir, acreditando que conseguiria vendê-lo rapidamente. Mas estou tendo dificuldades” afirma.