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Mão de obra pernambucana: qualificada ou não?

Incentivos para a intalações de novas empresas no Estado nem sempre significa benefícios para população. 

O forte crescimento econômico de Pernambuco e os incentivos fiscais (como o Prodepe) prometidos pelo governo atraíram grandes empresas nacionais e multinacionais para o Estado. Segundo a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) as instalações geraram entre janeiro de 2007 e março de 2013, mais de 500 mil novos empregos para os pernambucanos. Porém, muitas vezes, as vagas são destinadas a pessoas de baixa escolaridade e mão de obra barata e cidadãos de baixo nível de escolaridade, enquanto os cargos de gestão, alta exigência curricular e acadêmica são direcionados a pessoas de outros Estados.

A veterinária e especialista em segurança alimentar D.S., 30 anos, que prefere não ter a identidade revelada, atesta ter vivido uma experiência negativa na busca por um espaço neste novo mercado. “Estou em busca de novos desafios na minha área profissional e por isso procuro vagas em empresas no ramo alimentício. Assim resolvi ir à fábrica de uma empresa que estava chegando ao Estado, pois pensei que deveriam estar precisando de veterinários na área de qualidade e segurança alimentar”, explica. Segundo ela, daí veio a surpresa negativa. D.S. prefere não declarar o nome da indústria recém-instalada, mas afirma ter deixado seu currículo, questionando se já haviam aberto vagas para veterinários. “Responderam-me que as mesmas já estavam preenchidas, pois todos os profissionais capacitados vinham de São Paulo, portanto não abririam vagas para pessoas da nossa região”. A veterinária ainda completa: “Isso não é bom porque essas empresas vêm de fora e deveriam gerar emprego para população local, mas não geram porque acham que não existem profissionais qualificados aqui no Nordeste”.

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Segundo a AD Diper o governo do Estado fez grandes investimentos na área de educação profissionalizante para atender a demanda de novas empresas. Pernambuco tem hoje 107 Instituições de Ensino Superior (IES) credenciadas e autorizadas pelo MEC, entre elas: 06 Universidades (públicas e privadas); Centros de Formação Profissional, além de Institutos de pesquisa estaduais, como o Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP). Ainda segundo a agência o Estado também conta com uma infraestrutura acadêmica de excelência em áreas específicas do conhecimento, como tecnologia da comunicação e informação (TIC), química, física, matemática, engenharias, saúde, sociais, humanas e biológicas.