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Poluição do ar no Estado começa a preocupar

O primeiro sistema para a coleta de amostras do ar foi implantado no Recife em 1991, mas foi desativado pela CPRH em 2007.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, Pernambuco precisa implantar o sistema de Monitoramento da Qualidade do Ar por estar em quinto lugar entre as unidades federativas com maiores aspectos de risco e que precisam ter a situação de monitoramento avaliada ou reavaliada.   A classificação foi medida pelo tamanho da frota veicular e do parque industrial, habitantes e densidade demográfica.

O crescimento do número de veículos automobilísticos, a expansão dos principais parques industriais e instalações de novas fábricas no Estado, trouxe recentemente à tona a preocupação com a qualidade do ar inspirados pelos pernambucanos. Segundo Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição do ar é um problema muito greve nas grandes cidades, e o carro é o principal responsável por isso. A pesquisa aponta que 68% dos poluentes do ar são oriundos dos carros e o percentual de poluentes gerados pelos automóveis sobe se consideradas apenas as áreas urbanas para 90%.

O monitoramento da qualidade do ar tem por objetivo o conhecimento da contaminação do ar por poluentes atmosféricos e a comparação dos valores obtidos com os padrões de referência estabelecidos nacional e internacionalmente, de modo que possibilite a aplicação de medidas preventivas e corretivas de controle. Apesar do monitoramento já existir na Região Metropolitana do Recife e ser acompanhando pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), no Nordeste, apenas os estados da Bahia e Sergipe cotam com redes para verificar as condições do ar.

O primeiro sistema para a coleta de amostras do ar foi implantado no Recife em 1991, mas foi desativado pela CPRH em 2007. No mês de dezembro do ano passado, após seis anos depois a CPRH retomou a política de monitoramento, inaugurando uma estação no Complexo de Suape. A área concentra plantas industriais bastante “sujas”, as de refino de petróleo e termelétrico. A expansão do setor deveria bastar não só para o estado acelerar a implantação de pontos da rede não somente em Suape, mas em toda Região Metropolitana.

Em 2010, estudo das universidades de São Paulo (USP) e Federal de Pernambuco (UFPE) apontou o Recife entre as seis capitais de maior poluição atmosférica. E a situação da capital se agravou com o aumento da população e do parque industrial. O número de veículos cresceu quase 30%. Os dados deveriam ser suficientes para que o Governo do Estado exigisse e incentivasse medidas contra a emissão de gases poluentes, mas ainda poucas empresas se preocupam com a realidade.

Um dos poucos e bons exemplos é a Kitambar Artefatos de Cerâmica, fabricante de telhas, localizada no interior do Estado, na cidade de Garanhuns. É a primeira indústria a ter um projeto de crédito de carbono com aplicação da metodologia SOCIALCARBON. A Kitambar cessou utilização de lenha e passou a reaproveitar como combustível, materiais como a casca de coco, lenha de algabaroba e pó de cajueiro. Estima-se que a cerâmica reduzirá 417,800 tCO2 e no período de 10 anos.

“A metodologia SOCIALCARBON é um mecanismo estabelecido pelo Protocolo de Kyoto para reduzir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. Os países signatários deste acordo mundial são obrigados a reduzir até 2012 a emissão destes gases em 5,2% ds níveis de 1990. O documento comprova que a empresa, após modificar o sistema de queima de combustíveis de lenha para biomassa, passou a compensar o impacto causado ao meio ambiente com a emissão de gás carbônico.”