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A oralidade na Comunicação Organizacional

Interagir é preciso; falar fluentemente também. É o que hoje consideram as organizações modernas acerca da necessidade de se utilizar e organizar a comunicação dialógica como um diferencial competitivo nos processos comunicacionais. A comunicação oral é o primeiro e mais importante canal, por possuir um caráter essencial e de modo síncrono. Assim sendo, a oralidade não pode ser tratada da mesma forma que a escrita.

A comunicação oral é um dos recursos valiosos que podem diferenciar uma organização no mercado, entretanto pode não ser contemplada no planejamento estratégico, pela falta de perspicácia da sua relevância pelos profissionais da comunicação, pelos diretores, pelos gerentes que manifestam um exíguo interesse no potencial da comunicação nessa modalidade.    

Estudos demonstram que a comunicação é um indicador de desempenho de indivíduos, de grupos de empresas, de instituições, etc. No contexto organizacional, a interação face a face e os atos de olhar, ouvir e falar são valiosos indicadores, por exteriorizarem sentimentos de emoção, interesse, reconhecimento e respeito entre organização e público.    

Nas relações sociais, a comunicação oral ocupa um lugar por excelência, então se pressupõe que a oralidade utilizada no atendimento de públicos estratégicos, venha a consolidar ou condenar uma imagem pública organizacional. Nesse cenário, do ponto de vista linguístico-discursivo, dominar a norma culta do idioma pátrio é plataforma mínima de sucesso para profissionais das mais diversas áreas.

Nesse quadro, administradores, contabilistas, engenheiros, médicos, economistas que falam e, por conseguinte, escrevem com desempenho satisfatório e elevado, com lógica e riqueza vocabular, apresentam maiores chances de chegar ao topo, do que profissionais tão qualificados quanto esses, porém, sem o mesmo domínio da palavra. Isso significa que, além de ser necessário conhecer as palavras, é preciso que se tenha algo a dizer de forma lógica e racional.

Importa assinalar, também, alguns problemas notacionais na estrutura sintática e na concordância, que destoam e comprometem a vida social e as pretensões profissionais no processo comunicativo organizacional pertinente, em princípio, à oralidade, tais como:

1. Houveram problemas. (Houve problemas. Verbo haver, no sentido de existir, é impessoal);

2. Esse assunto é entre eu e ele. (Depois da preposição, usa-se pronome oblíquo tônico: entre mim e ele);

3. O diretor deu um relatório para mim ler.(Antes de verbo, usa-se o pronome pessoal, e não o oblíquo: para eu fazer);

4. Fazem dois meses que ele não aparece. (O verbo fazer indicando tempo é impessoal: faz dois meses). Portanto, considere que sua roupagem linguística é também seu cartão de visitas.