Artigo

Alex Sandro Gomes

Autonomia para aprender ao longo da vida

As tecnologias de informação e comunicação elevaram de forma exponencial a velocidade da produção de conhecimentos pelas sociedades. As gerações atuais são obrigadas a adaptar suas formas de aprendizado. O ensino, baseado em currículos pré-definidos e loteados por conceitos pré-estabelecidos, é limitado para formar cidadãos competentes e habilitados a viver nas sociedades pós-industriais.

Surge então, na década de 90, a noção de aprendizado ao longo da vida (da expressão Lifelong learning). Trata-se de uma postura autônoma, voluntária e auto motivada: da pessoa para com o seu próprio aprendizado. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, o aprendizado ao longo da vida tem relações estreitas com o mundo do trabalho e o conceito de empregabilidade. Sob essa definição há uma enorme plêiade de conceitos, paradigmas, teorias e métodos de ensino-aprendizagem adotados no decorrer do ciclo de vida das pessoas. Na Educação infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental o professor assume papéis relacionados à motivação e conduzem o aprendizado por caminhos que supostamente não seriam praticados autonomamente pelos aprendizes. Nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio a aprendizagem ainda é conduzida pelos professores. Denominamos de heterônoma a relação entre professores e alunos frente ao aprendizado nessas etapas da vida.

Já a aprendizagem de adultos orienta-se por um processo autodirigido, no qual o professor assume o papel de facilitador. O adulto recebe sinalizações e segue sua própria necessidade para aprender. Os pressupostos da aprendizagem nessa fase consideram que aprendizes adultos:

• Precisam saber a importância e relevância de um assunto antes de decidir aprendê-lo;

• São auto direcionados e querem ser tratados como capazes de se auto dirigir;

• Trazem uma variedade de experiências de vida que representam bases para novos e futuros aprendizados;

• Estão prontos a aprender as coisas mais relevantes para sua empregabilidade ou suas vidas pessoais;

• São orientados a objetivos específicos e desejam uma educação que busque atingi-los.

As abordagens de ensino-aprendizagem para crianças, jovens e adultos, distinguem-se pelo grau de autonomia esperada dos aprendizes. Os métodos de ensino-aprendizagem deveriam perseguir o desenvolvimento dessa habilidade em todos os níveis. Na prática, significa delegar progressivamente mais responsabilidades para os aprendizes. Essa habilidade é importante para se viver em sociedades pós-industriais. O educador alemão Otto Peters é conhecido por ter formulado uma teoria sobre práticas pós-industriais de ensino. As dimensões de seu modelo didático são: o diálogo, a estrutura, a autonomia e a distância transacional. O diálogo seria mais intenso entre todos os participantes para promover o aprendizado. A estrutura foge do lugar comum da sala de aula e ganha espaços abertos, reais e vivenciais. A distância transacional refere-se ao espaço de tempo entre o momento da dúvida e o de seu esclarecimento. E, finalmente, um método pós-industrial de ensino-aprendizagem prima pela promoção da autonomia dos aprendizes.

Assim, o ensino-aprendizagem pós-industrial busca preparar as pessoas para empreender projetos de vida na Economia Criativa, na Sociedade da Informação. Nesse cenário, o modelo ‘tradicional’ de ensino-aprendizagem, ou ‘prussiano’, com aulas de quadro e giz, encontra seu limite. Se os sistemas educacionais não conseguem desenvolver a autonomia dos sujeitos, estes não terão as habilidades necessárias para continuar aprendendo ao longo da vida, para participar da Educação à Distância, nem para criar um futuro melhor para si e para as sociedades.