Artigo

(NOVO)Post_Revista Mercado Aberto-23

A ética e a propaganda

Alberto Bittencourt
Engenheiro civil e de segurança do trabalho
abittg@gmail.com

1. A Baleia

Era uma vez um pescador em uma pequena aldeia. Certo dia, cansado, deixou-se cair languidamente na areia, a contemplar o mar, ao invés  de acompanhar seus colegas na dura faina da pesca diária.

Alguém, vendo-o na ociosidade, perguntou:

– Por que não foi pescar hoje?

– Estou à espera de uma baleia, respondeu o pescador.

– Uma baleia?

– Sim, neste momento ela se encontra após aquela curva, por trás das pedras. Não dá para ver daqui.

O homem, curioso, despachou-se na direção apontada, na busca de ver a tal baleia, deixando o preguiçoso em paz.

Não demorou muito outro passante fez a mesma inoportuna pergunta.

– Por que você está aqui dormindo e não foi pescar com os demais pescadores?

– Estou esperando uma baleia que está após aquela curva, por trás de umas pedras.

O segundo homem não hesitou e foi lá conferir.

Assim sucedeu-se com mais cinco pessoas. Todas foram em busca da baleia.

A essa altura, o pescador despertou cismado:

– Se eu já mandei sete pessoas e nenhuma voltou, é capaz de haver mesmo uma baleia lá. Vou verificar. Levantou-se e foi procurar a baleia.

2. Propaganda Subliminar

Assim são chamadas as mensagens de persuasão feitas para serem percebidas apenas no subconsciente. A primeira experiência do gênero foi realizada em 1956, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, pelo publicitário Jim Vicary. Durante a projeção de um filme, ele inseriu a frase “Beba Coca-Cola” numa velocidade tão rápida – aparecendo com apenas 0,003 segundo de duração – que ela passava desapercebida. O olho humano só capta imagens que duram no mínimo 0,02 segundo, mas, de acordo com Vicary, as mensagens ficavam gravadas na mente das pessoas – tanto que, no intervalo do filme, as vendas do refrigerante aumentaram 60%. Ele repetiu a experiência com a mensagem “coma pipoca” e obteve o mesmo resultado.

Propaganda subliminar é crime em países como Estados Unidos e França, mas aqui no Brasil não existe uma legislação específica a respeito.

3. Merchandising

No Brasil tem-se chamado de “merchandising” quando uma marca,    ou produto aparece em uma ou mais cenas, geralmente em segundo plano.  É comum em novelas ou programas seriados de TV, inserida num contexto, sem que o telespectador perceba. Aparecem em vestimentas, carros e objetos um sem número de vezes com o fim de impregnar a consciência das pessoas, levando- as a comprar por impulso.

A palavra “impregnar” tem origem em prego, pregar. Assim como o prego vai penetrando aos poucos na madeira, a marca vai penetrando e preenchendo aos poucos a nossa consciência até que ela esteja totalmente impregnada. ICON-01