Coluna Vitor Hugo Gonçalves

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As férias de Jamil

Vitor Hugo Gonçalves
Diretor Execultivo da VH Consultores e Diretor da Abble Tecnologia e Desenvolvimento
vitor@vhconsultores.com.br

Jamil começou a trabalhar cedo, ajudando o pai na marcenaria improvisada no quintal de sua casa. Já adulto, assumiu o negócio da família que, a esta altura, já contava com alguns marceneiros e ajudantes. A empresa ia bem e cada vez chegavam mais clientes. Jamil havia aprendido com seu pai que compromisso era coisa séria e fazia o possível para entregar as encomendas dentro do prazo. O tempo foi passando e o negócio ia prosperando. Jamil casou, teve dois filhos e morava em uma bela casa. No verão, as crianças debandavam para a casa dos avós, pois com o crescimento dos negócios, chamou a mulher para ajudar na empresa. Finalmente, aos 38 anos de idade, Jamil decidiu que era hora de tirar férias. Reservou hotel, comprou as passagens, juntou a família e partiu.  Ao descer do avião e ligar seu telefone celular, percebeu que tinha nada menos de 20 mensagens, todas da marcenaria. “Seu Jamil, o cliente quer isso… Seu Jamil,  precisa comprar mais parafusos”, e por aí vai! E o quadro se repetiu durante os três dias que se seguiram. Foi então que nosso intrépido amigo arrumou as malas e antecipou seu retorno, deixando a mulher e os filhos para que aproveitassem o que sobrava das férias.

Jamil é um nome fictício, mas sua história é bem real. Talvez até você se identifique um pouco com ela, o que não é incomum, uma vez que boa parte dos empreendedores sofre com a chamada “Síndrome do EUPRESÁRIO”. Um belo dia você se surpreende dizendo que tem
que fazer algo, pois ninguém mais consegue fazê-lo como você faz! Ou que não tem tempo para ficar explicando as coisas para seus funcionários em detalhes, pois leva menos tempo se você mesmo o fizer.

O que muitos não percebem é que, com o crescimento da empresa, é necessário que o empreendedor desenvolva novas habilidades, diferentes daquelas que utilizava quando estava só. Uma empresa cresce com a ajuda de pessoas, e pessoas necessitam ser bem selecionadas, capacitadas, orientadas e avaliadas. Ou seja, é neste momento que deveria morrer o operário e nascer o gerente de sua própria empresa. Deveria, pois, na verdade, colocar a “mão na massa” é muito mais divertido, não é mesmo? Chato é ter que ficar cobrando resultados, administrando a papelada e os números.

Bem, talvez valha a pena avaliar melhor a situação sobre outra ótica: a do dinheiro. O empresário geralmente é (ou deveria ser) bem remunerado pelo trabalho que realiza em seu negócio. Então faça as contas. Quanto vale a hora de um empresário? Certamente ele estará custando muito caro para sua empresa caso esteja se envolvendo apenas com as atividades operacionais e, consequentemente, deixando de lado as questões gerenciais e estratégicas de seu negócio.
E então, vamos planejar as férias deste ano? ICON-01