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(NOVO)Post_Revista Mercado Aberto-23

A governança corporativa nas empresas familiares: profissionalização e sucessão

Domingos Ricca
Professor de pós-graduação e sócio-diretor da Ricca & Associados
ricca@empresafamiliar.com.br

As empresas familiares são a forma determinante de negócio no mundo todo, inclusive no Brasil. São diversificadas, em tamanho, área de atuação, capacidade de atendimento, produtos e/ou serviços, porém todas têm algo em comum: são geridas por membros de uma mesma família, com a característica de manter na organização a convivência entre gerações, e possui inúmeras vantagens e desvantagens decorrentes do fato de ser uma organização de natureza familiar.

Sem dúvida, a figura mais importante da empresa familiar é o fundador. O pai, o avô, aquele que desenvolveu e concretizou o negócio, é exemplo a ser seguido pelos familiares. A identidade de uma empresa familiar, portanto, está pautada em quatro pilares, que foram adotados pelo fundador no início do negócio, a saber:

ICON2-01  Palavra / Credibilidade;

ICON2-01  Perseverança;

ICON2-01  Carisma / liderança;

ICON2-01  Cultura.

A continuidade deve ser realizada com o planejamento sucessório, além de inclusão de ações de Governança Corporativa, sendo este um instrumento de profissionalização e de transparência, que permite a redução dos conflitos entre parentes. Duas questões podem fazer com que as empresas familiares sobrevivam e se mantenham saudáveis por longo prazo:

ICON2-01 A empresa deve ser tratada como tal, sem fazer aflorar nas dependências da organização, conversas e discussões inerentes à família. A família deve estar restrita ao âmbito familiar e assim ser tratada, sem que haja a interferência de problemas profissionais, pois isso poderá dissolver a solidez desta relação. A propriedade deve ser respeitada, pois conflitos sérios que possam rachar a família, também podem fragmentar o patrimônio que levou muito tempo e esforço para ser construído.

ICON2-01 O processo sucessório deve ser muito bem planejado. O fundador escolhe seu(s) sócio(s), porém os herdeiros têm sociedades impostas a eles, pois o que determina a relação profissional não é a escolha, mas sim o grau de parentesco. Sem uma condução adequada, os sócios podem ter conflitos que desencadeiam desgastes e disputas pelo poder. A entrada de noras, genros, além do aumento em progressão geométrica do número de herdeiros, permite que as gerações futuras vivenciem problemas de continuidade da empresa.

Fazer com que haja Profissionalização nas Empresas Familiares requer a manutenção de ações vinculadas a Governança Corporativa. Governança Corporativa é um sistema de regras que permite a transparência, cuja finalidade é: aumentar o valor da sociedade; facilitar o acesso ao capital e contribuir para a sua continuidade empresarial, além de minimizar o conflito entre parentes.

Portanto, para manter a continuidade dos negócios de família é necessário determinar regras de conduta corporativa, além de promover a formação de sucessores que tenham o perfil do cargo a ser assumido, bem como vínculo com a cultura organizacional. Este é o caminho para perpetuação da empresa familiar e do sonho do fundador. ICON-01

Governança Corporativa é um sistema de regras que permite a transparência, cuja finalidade é: aumentar o valor da sociedade; facilitar o acesso ao capital e contribuir para a sua continuidade empresarial, além de minimizar o conflito entre parentes.