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Domingos_Ricca

Mulheres na sucessão familiar

O sonho do pai nem sempre é o sonho do filho, mas e se o sonho do pai for o mesmo da filha? Entenda porque cada vez mais a presença feminina aparece no cenário da sucessão familiar.

Ao longo da história muitas mulheres se destacaram no cenário mundial, mas a partir dos anos cinquenta houve a mobilização feminina por igualdade e justiça. E mesmo hoje, apesar de muitas ocuparem cargos altos na hierarquia organizacional, a exemplo das executivas de sucesso em empresas globais, ou mesmo de Presidentes da República, as mudanças no cenário econômico e empresarial podem se configurar de maneira sutil.

A história das empresas familiares no Brasil é antiga, marcada pelas empresas rurais adquiridas por doação dos senhores feudais, em uma época em que se subdividiam as capitanias hereditárias, antes da dinamização de seu parque industrial. Estima-se que cerca de 80% das empresas nacionais sejam de natureza familiar, sendo uma das principais fontes geradoras de postos de trabalho no país, com dois milhões de empregos diretos e participação significativa no PIB brasileiro.

Um dos maiores empecilhos dentro das corporações é o processo de sucessão, normalmente porque o fundador sonha com a perpetuação do seu negócio, cuja dedicação consumiu dias e noites da maior parte da sua vida. O conflito maior está no fato de que o sonho do pai pode não ser o mesmo sonho do filho. Mas e se o sonho do pai for o mesmo de filha?

O surgimento da presença feminina na sucessão familiar é re’cente. As mulheres começaram a ser cotadas para a sucessão nas empresas familiares há apenas 15 anos.

Atualmente as filhas estão incluídas nos processos sucessórios. Muitas vezes estão mais próximas do pai e o acompanham nas suas atividades profissionais. Isso permite um profundo conhecimento das características que consolidaram a liderança do fundador, além dos meandros corporativos.

As mulheres possuem também, uma maior sensibilidade para lidar com os problemas vinculados aos conflitos familiares no processo sucessório, tendo uma capacidade significativa para negociar acordos que sejam vantajosos para todos os envolvidos.

Em um estudo recente com 91 mulheres, descobriu-se que apenas 27% esperavam entrar no negócio da família. As razões que elas deram para seu ingresso na empresa incluíam: ajudar a família, ocupar uma posição que ninguém queria e a insatisfação com outro emprego. Descobriu-se que as mulheres pesquisadas não haviam planejado uma carreira na empresa familiar, entrando no negócio apenas para apoiar a família durante uma crise, ou porque suas outras opções eram ainda mais indesejáveis.

No ano passado o mercado foi surpreendido pela notícia de que Elena Ford, 46 anos, neta de Henry Ford II e tataraneta de Henry Ford, fundador da Ford Motor Company (em 1903), foi eleita vice-presidente da companhia, a primeira mulher da família Ford a ocupar uma posição desse nível na empresa. Este é um sinal de que as mulheres estão assumindo posições cada vez mais significativas nas corporações, sendo esta tendência algo irreversível e de grande impacto para o modelo de gestão adotado pelas organizações.