Artigo - Entrevista

EBO-9399

Crescimento como principal meta de Pernambuco

Em entrevista exclusiva para Revista Mercado Aberto o governador Eduardo Campos fala sobre as perspectivas de crescimento do estado para 2014 e faz uma análise do último ano.

Pernambuco vive um momento de crescimento único. No cenário nacional é o estado com o maior PIB, e, por isso, a Revista Mercado Aberto traz como capa, nesta edição, as perspectivas previstas para o ano de 2014.

Revista Mercado Aberto: Mesmo o país vivendo um período de alta inflação e instabilidade financeira, Pernambuco tem fortificado sua economia. Como isso é possível?

“O crescimento de Pernambuco vem sendo ancorado em grande parte pelos investimentos que estão chegando ao estado. No Complexo Industrial Portuário de Suape já são 105 empresas em operação e outras 45 empresas estão em fase de implantação. Além dos polos petroquímico, naval e offshore, está sendo desenvolvido em Suape um polo de fabricação de equipamentos para energias renováveis. Já estão em funcionamento a Impsa, a Gestamp e a LM Wind Power.

A Iraeta deverá iniciar operação em breve. Elas produzem aerogeradores, torres, pás e flanges, respectivamente, completando a cadeia produtiva desses equipamentos. Para receber todos esses empreendimentos, Pernambuco vem investindo fortemente em infraestrutura. Em Suape foi feito o terceiro píer de graneis líquidos e o reforço dos cabeços, fundamentais para receber os grandes navios de minérios e os petroleiros para a refinaria.”

RMA: O estado vem vivenciando um momento de interiorização industrial. Qual a proposta dessa estratégia?

“Isso só foi possível porque foi mudada a sistemática dos incentivos, que aumenta o crédito do ICMS dependendo da localização do empreendimento, chegando a 95% no Sertão. Os esforços estão sendo empregados sempre no sentido de espalhar esse desenvolvimento. Esse esforço para promover a interiorização do desenvolvimento tem conseguido levar muitas outras indústrias para os mais longínquos municípios. Entre 2007 e 2012 houve 198 projetos industriais e de centrais de distribuição aprovados, programa de incentivos fiscais, significando investimentos de R$ 2,97 bilhões e a geração de quase 25 mil empregos. Já se tem em Glória do Goitá um importante polo, com uma fábrica de R$ 300 milhões da WHB Fundições, que fabrica bloco de motores e bielas para o setor automotivo; e outra da Nissin Ajinomoto, ambas já funcionando. Perto dali, em Vitória de Santo Antão, tem a BR Foods (Sadia) e a Mondelez (antiga Kraft Foods) ajudando a dinamizar a economia daquela região. Olhando mais ao Norte, temos o nascente polo de desenvolvimento de Goiana. Lá estão sendo instalados os polos farmacoquímico, vidreiro e automotivo, trazendo uma nova dinâmica àquela região que, como a Mata Sul, até então tinha sua economia baseada na cana-de-açúcar.”

RMA: Apesar deste grande desenvolvimento,  uma coisa que não deixa de preocupar a população é a mobilidade e o tráfego de veículos. Todo o estado ainda vive um momento de grande insatisfação com os acessos de entrada e saída da região metropolitana e com a situação das estradas que ligam as cidades. 

“Para melhorar o acesso ao complexo de Suape, dando mais segurança, agilidade e conforto ao tráfego da região, está sendo concluída a Via Expressa. O complexo viário e logístico possui 43 quilômetros de extensão a expectativa é a de que ela absorva o fluxo de veículos pesados com destino às indústrias e a Suape, liberando a PE-60 para o tráfego de veículos leves. A via, que segue até a PE-38, no distrito de Nossa Senhora do Ó, será também o caminho principal para as praias do Litoral Sul, como Porto de Galinhas, encurtando a distância em 8,4 quilômetros em relação à PE-60. Contratamos uma consultoria para elaborar um diagnóstico profundo da região, que envolve oito municípios (Cabo de Santo Agostinho, Escada, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Ribeirão, Rio Formoso e Sirinhaém). Entre as macroações identificadas no estudo estão o planejamento e o controle territorial; programas integrados de mobilidade, habitação, desenvolvimento infantil, juvenil e de proteção às mulheres.”